Substratos: Dicas e truques para solos inertes

É importante deixar claro logo no começo do texto que todos os substratos inertes que iremos apresentar tem vantagens e desvantagens. Para fazer a melhor escolha,  pesquise e opte por aquele que mais se aproxima às suas necessidades, estilo e orçamento.

Um bom meio de cultura deve ter apresentar algumas características chave. São elas:

  • Ser inerte, ou quase isso
  • Ser relativamente limpo
  • Ter uma boa aeração e retenção de água
  • Ser fácil de trabalhar
  • Ser leve em peso, mas que não flutue
  • Ser sustentável e/ou reutilizável

É difícil mudar de substrato uma vez iniciado o cultivo, portanto, é recomendável começar com aquele que cabe no seu bolso e cumpra a maioria das características de um bom solo.  Não é preciso fazer experimentos mirabolantes para garantir uma boa qualidade de sua terra. Mas vamos ao que interessa, olhar as opções de substrato que temos no mercado:

1 – Perlita

A maioria dos substratos apresentados aqui pode ser misturado com um outro ingrediente para ter uma melhor performance. Normalmente esse “mix” é feito com a perlita, que tem como função melhorar a drenagem e aeração do solo. Ela também pode ser usada sozinha para a produção de mudas e enraizamento de sementes. Apesar de não ser sustentável, é reutilizável, relativamente barato e tem um pH neutro.

Assim como a argila expandida, a perlita também se expande com o calor. É interessante notar como muitos produtos para hidroponia são derivados de processos de expansão com o calor na tentativa de maximizar a capacidade de aeração e de retenção de água. A vermiculita, de lâminas de minerais hidratados e vidro reciclado (sílica), são dois diferentes, que você tem que saber identificar.

A perlita não é adequada para todas as aplicações. Seus grãos boiando podem se tornar um problema em alguns sistemas hidropônicos e muito molhados com o tempo podem ficar muito compactados.

2- Turfa de Sphagnum

A turfa é um material de origem vegetal, encontrado em camadas. É formado basicamente por Sphagnum, um grupo de musgos. É muito comum encontrar turfa misturada com a perlita, porque a junção dos dois substratos gera inúmero benefícios ao seu cultivo.

O uso da turfa apresenta diversas vantagens, entre elas: excepcional rendimento, pelo seu baixo nível de umidade, apresenta maior retenção de água, facilitando o manejo e economizando na mão de obra, além de promover excelente desenvolvimento das raízes e facilitar que fixação das mudas após os transplantes.

Entretanto, a turfa por si só não apresenta todos os nutrientes que as plantas precisam para crescer fortes e saudáveis. O Ph do substrato é ácido, o que pode ser ótimo para algumas plantas, mas não se você deseja cultivar espécies que precisam de solos alcalinos. Em grande quantidade, a turfa tende a ser caro, por isso a dica é: misture a turfa com outro substrato para adicionar benefícios ao solo, mas evite usar grandes quantidades.

3- Substrato de coco

Coco é um dos produtos queridinhos do momento e seus benefícios são enormes para a saúde, cabelos e pele. Mas você sabia que ele também pode ajudar no seu cultivo? Existem substratos feitos de coco, como o pó e a fibra, feitos da fibra e da casca do coco, triturados e desfiados. Uma notícia boa: a demanda por produtos como leite e óleo de coco só aumenta por todo o planeta, seja na indústria alimentícia ou de cosméticos, então meu amigo, você deve ficar feliz em saber que coco não vai faltar pelos próximos anos.

O coco é um meio de cultura sustentável e reutilizável e além de tudo, muito fácil de usar. O substrato de coco é vendido em fardos e sacos como os de turfa. É uma opção econômica tanto para cultivadores iniciantes como os mais experts e uma ótima opção para sistemas hidropônicos de gotejamento e de Ebb and Flow ().

Apesar do coco ser classificado como um substrato inerte, nem sempre isso é verdade. A fibra de coco absorve cálcio e magnésio de misturas padrões de fertilizantes, e os descarta um tempo depois no processo de crescimento. Normalmente é necessário um fertilizante específico para ele, ou a adição de cálcio e magnésio à sua mistura de nutrientes.

Como a maioria dos produtos a base de coco reagem de uma forma previsível, manter a concentração exata de nutrientes não é tarefa tão difícil, basta um monitoramento.

A fibra de coco é versátil, podendo ser usada na hidroponia, no jardim do condomínio ou em jardins ornamentais. Algumas marcas de fibras de coco não são indicadas para uso na hidroponia por conter um alto nível de cloreto de sódio, não sendo apropriado para um cultivo de solo inerte. Escolha uma fibra de coco especialmente feitas para uso em sistemas hidropônicos, que tenha sido bem enxaguada e pré-tratada para remover os sais minerais.

Com um pH natural que varia entre 4.5 e 6.8, tanto a fibra quanto o pó de coco precisam da adição de algum ingrediente para estabilização, como o nitrato de cálcio, fixando o valor do pH em 6. Para o melhor resultado, busque uma opção de produto vendido como já estabilizado ou bufferizado. Uma desvantagem do coco é não ter uma retenção boa de água, então é bom combinar o substrato com perlita, para melhorar a aeração e drenagem. A relação vai variar dependendo da aplicação, mas pode ser até uma mistura 50/50.  e você pode fazer a sua própria mistura ou comprar uma pronta.

4 – Lã de rocha (Rockwool)

A lã de rocha é uma lã mineral, feita de basalto (rocha vulcânica), que é derretida com gesso e areia até formar um material fibroso. Posteriormente, esse material  é processado e cortado em blocos, pranchas ou slabs (granulados). A lã de rocha pode ser usada desde o enraizamento, até no uso de plantas adultas em sistemas hidropônicos.

Apesar de ter se tornado popular para cultivadores hobbystas e produtores, a lã de rocha foi originalmente desenvolvida no final do século 19 como material de isolamento, como a fibra de vidro, sendo usada também para isolamento térmico e acústico.

A lã tem algumas vantagens impressionantes quando utilizada no cultivo indoor. Funciona muito bem com diversas linhas de fertilizantes, além de ter boa retenção de água. Alguns produtos a base de lã de rocha também tem a vantagem de ser escalonáveis. Quando a planta alcança um sistema de raízes desenvolvido, basta “plugar” aquele cubinho em um outro maior, provendo mais espaço para acomodar as raízes e consequentemente, ajudando num bom crescimento. Pense como um sistema modular de cultivo indoor, muito utilizado nas plantações de tomate, por exemplo.

A lã de rocha pode ser usada em diversos sistemas hidropônicos e tipos de cultivo, incluindo a aeroponia, dwc, sistema de leito flutuante (ebb and flow) e NFT. e proporciona um fácil transplante do solo. Por mais que isso tudo mencionado seja bacana, existem alguns pontos que você deve considerar. A lã de rocha pode ser um meio de cultura caro, principalmente, porque praticamente não dá para ser reutilizado.  Além disso não é um produto sustentável que possa ser devolvido a natureza.

Com o tempo, você começará a refletir  se não valer a pena usar usar um material reutilizável e mais sustentável, principalmente se sua operação começa a expandir. Mas você pode usar a lã de rocha no início, para enraizamento de sementes e mudas, e quando for a hora do transplante, optar por um substrato mais sustentável como o de coco.

Você também pode transplantar uma muda num cubo de rockwool para um vaso com substrato e deixar que as raízes cresçam famintas a partir dali, apenas se certifique de deixar esse substrato uniformemente úmido. Isso é uma maneira de flexibilizar o cultivo de uma forma acessível e muito eficaz quando se usa a lã de rocha.

O manuseio da lã de rocha pode ser uma das piores partes, porque ela solta uma poeira insalubre, que pode fazer mal a quem tem pessoas com problemas respiratórios em casa. Alguns fabricantes sugerem o uso de máscaras, principalmente na fase de instalação. Não deixe de ler e seguir as recomendações de manuseio e segurança do fabricante.

Apesar de ser um meio de cultura muito conveniente, ela ainda precisa de alguns cuidados antes do uso. Seu pH tende ser mais alcalino, por volta de 8, sendo aconselhável o uso de uma solução para redução de pH para o melhor desenvolvimento das plantas.

Só utilize uma mistura de fertilizantes após ajustar o pH, as pessoas muitas vezes misturam os fertilizantes enquanto ajustam o Ph do solo. É importante saber que o ajuste do Ph pode ser mais eficiente se feito antes da introdução de fertilizantes a sua colheita.  Outra dica importante é: a lã de rocha fica mais mole quando molhada e apertá-la muito forte destrói a sua capacidade de retenção de umidade e aeração, então vá com calma. Uma vez transplantada, monitore o pH regularmente e caso haja variações, ajuste adequadamente.

5 -Argila Expandida

Argila expandida, também conhecida como cinasita, é um material leve que quando exposto ao calor, sofre expansão pela retenção de gases formados em seu interior, criando muitos poros. Essa porosidade de sua superfície exerce uma ótima tarefa ao manter uma boa relação de ar para água em um sistema hidropônico.

A argila expandida tem um pH estável, o que significa que não precisa de preparação ou monitoramento do Ph no solo. O material é muito leve e promove ótima aderência das raízes, sem prejudicar a sustentação da planta. Apesar de seu custo inicial ser maior, a argila expandida pode ser reutilizada após uma boa lavagem, seguida de enxágue com água limpa. Se você tiver planos a longo prazo, essa pode ser uma opção bem amigável ao bolso, e embora a argila expandida não seja sustentável, sua vida útil é maior que a de outros substratos.

Se você deseja cultivar mudas, vai ficar feliz em saber que a argila expandida também pode ser encontrada em tamanhos menores.  Muitas pessoas usam a cinasita junto com outros substratos (pó de coco, solo orgânicos, turfa), visando melhorar a disponibilidade de oxigênio e aprimorando a drenagem das plantas.

Às vezes as pedrinhas de argila expandida parecem limpas, quando na verdade sua superfície de textura porosa está cheia de poeira de argila. Em alguns casos, se essa poeira existir no ambiente em grande quantidade, pode entupir sistemas de irrigação se as argilas não forem bem lavadas e enxaguadas antes de usadas pela primeira vez. Não é muito comum, mas o ar que fica preso no interior das pedrinhas pode fazer com que elas flutuem na água. A drenagem do solo pode ser melhorada com a introdução da argila e você deve saber usar bem as vantagens desse substrato adequando ao seu método de cultivo para poder garantir as melhores colheitas.

6 – Vermiculita

A vermiculita é um minério expandido muito usado na formulação de substratos de qualidade. Sua principal característica é a alta capacidade de retenção de água, além de apresentar baixa densidade. Em muitos países esse substrato vem sendo utilizado para produção de mudas e germinação de sementes. Com o Ph que varia de 7,0 a 7,70, a vermiculita é um bom condicionar de solo, seja ele puro ou misturado com outros tipos de substratos. A desvantagem da vermiculita é que a sua durabilidade é menor do que a da perlita, por exemplo. Além disso, como o mineral pode reter muita água, há chance de encharcamento do solo.

Outras opções

Além desses tipos de substratos, ainda existem muitos outros. Um grupo que inclui muitos substratos como opção e que além de tudo é barato, mas que pode ser desafiante encontrar em quantidade e/ou limpar, inclui areia, cascalhos de rio, serragem, cascas de amendoim, entre outros.

Sem substrato

Não podemos terminar o post sem mencionar a forma mais minimalista de cultivar: sem substrato nenhum! Isso pode ser realizado de forma efetiva com sistemas de hidroponia específicos, sistemas aeropônicos, ou sistemas DWC.

Não importa qual o substrato que você escolher, estamos aqui para ajudar as raízes de suas plantas bombarem, porque um cultivo de sucesso, começa com raízes saudáveis.

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